
13 de Outubro – Dia Mundial do Escritor.

Dia de quem transforma imaginação em letra.
Escrever é uma aventura agonizante para trazer de dentro de si a letra que expressa o horror da profundeza humana. Não se escreve impunemente. Não se lê impunemente. Pela palavra, algo se transforma e a gente muda, e o mundo pode mudar a partir disso.
O escritor é aquele que intervém no mundo. Ali onde há um ponto final, ele interroga; ali onde há um ponto de exclamação, ele interroga. Escritor interroga tudo, mas, quando bem feito seu ofício, não produz a resposta. Esta é o leitor que tem que inventar.
Neste mundo com tantas certezas, a intervenção do escritor é o que há de mais sofisticado. Escrever é um ato político, assim como todos os atos. Mas neste há um diferencial: o efeito. A política, como sempre, exige de nós, escritores, a responsabilidade de questionar, provocar, convocar ao pensamento abstrato e crítico, tão em falta na pós-modernidade.
Por outro lado, isso não significa que se deve escrever para ensinar ou educar. Escrita não tem nada a ver com pedagogia e didatismo. Isso seria escrever para afirmar, o que vai na contramão do efeito provocatório ao qual o escritor, na melhor das hipóteses, se propõe. Isso também significaria colocar o escritor na posição do Sujeito Suposto Saber. Ora, José Saramago nos afirma que dizem que o escritor sabe muito, mas na verdade ele não sabe de nada.
Escritor é também aquele que vence as adversidades mercadológicas e culturais para seguir na direção do seu desejo. Mal pagos, desvalorizados, às vezes xingados, mal compreendidos, humilhados, ignorados, reprimidos, chamados de escandalosos por apontarem o escândalo social. Aquele que grita e não é ouvido. Aquele que recebe a glória só depois de morto, quando recebe. Aquele que tem todos os motivos do universo para não escrever,mas, ainda assim, escreve!
Parabéns aos escritores!
Seu desejo é visceral!
SARAMAGO, José. Entrevista concedida ao programa Sempre um Papo. 05/1999, Belo Horizonte.