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O Irlandês

O Irlandês

SPOILER!!!
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"Que tipo de homem dá um telefonema desses!'
O telefonema é o fragmento que denuncia a banalidade do mal, e a consciência do horror a este ato aponta para uma fagulha de autocrítica, embora pequena demais para produzir algo além das palavras.
Scorsese escancara, intencionalmente ou não, quão longe pode um ser humano passar dos seus limites éticos.
Em "O Irlandês" o comprometimento com o outro como ser humano só é levado em conta enquanto este não interfere no comprometimento que se firmou anteriormente com os grupos. O coletivo vem antes dos aspectos humanos. É impressionante, embora não seja surpreendente, que a vida do outro e seu corpo estão objetificados . A vida valendo menos que o dinheiro e menos que o poder. O outro é uma peça a ser descartada quando não serve mais ou está causando 'problemas'.
Do outro lado está a família. Aqueles em nome de quem os crimes são cometidos sob o pretexto da proteção; aqueles que podem sofrer se ordens não forem executadas. E podem mesmo! Mas é aí que entra em jogo a responsabilidade dos que decidiram jogar. A entrada desses personagens para o crime se dá, suponho, em partes, pelo desejo do poder e do dinheiro que dariam a eles a riqueza da liberdade de se ter o que quiser e de se ser o que quiser. No entanto, o que acontece de fato é que a entrada para o crime me parece nestes casos muito mais como uma entrada para a prisão, pois não se saí dali vivo. Torna-se cativo da lei que reina entre eles e que diz, Mate-o, ainda que este alguém a quem se deve matar é um desconhecido, parente ou amigo.
Que destino lamentável o dessas pessoas que supõem que estão sendo livres por entrarem num negócio em que conseguiriam tanta grana, mas que na verdade estão se tornando cativos da lei do crime.
Um preço alto.
Aliás, Frank levou essa incoerência às últimas consequências: acreditando proteger a família, cometeu o 'pior', mas justamente por cometer.

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