
No Caminho de Swan | Em Busca do Tempo Perdido

Ir em busca do tempo perdido, para Proust, não é tentar fazer ou ser o que não se pôde até o momento, mas sim perder-se no tempo; no tempo, e na memória; é deixar-se enveredar pelo que surge à mente, pelas imagens da nossa história, pelas paisagens dos lugares em que vivemos, pelos seres que passaram por nós, tal qual num processo analítico (e não é à toa que há tanto de psicanálise neste livro) e considerar que toda essa memória perdida no tempo está agora conosco, povoa nossos pensamentos no momento presente e se fazem presente, se constroem à medida em que nos lembramos.
Em Busca do Tempo Perdido começa No Caminho de Swann, primeiro volume de sete que compõem a obra. Caminho este que é criado pela memória. Caminho este que é despertado pelo mergulho de um biscoito no chá, e que traz à tona uma cadeia de associação de ideias que vão sendo encontradas junto com o tempo. Porém, onde está o tempo? Qual a verdade dessas memórias? O que elas revelam ou escondem? São questionamentos importantes!
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Em Busca do Tempo Perdido é também a busca do detalhe perfeito, da construção impecável das personagens. Marcel Proust caracteriza os personagens com detalhes tão miniciosos e descrições de tamanha riqueza simbólica que os faz parecerem mais reais do que se de fato o fossem; ele nos mostra a mente desses personagens como se eles estivessem pensando na nossa frente, deixando nua cada subjetividade e suas contradições, hipocrisias, desconfianças, desejos, preconceitos, afetos, num fluxo de consciência dos mais primorosos da literatura mundial.
Mas não se enganem, é um livro denso, desafiador, e exige paciência de quem se aventura a lê-lo. O que cada um ganhará lendo este livro é uma construção muito própria e de sua responsabilidade. Aventure-se quem quiser!
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Proust, Marcel. No Caminho de Swann. Tradução de Mário Quintana. 10ª ed. Rio de Janeiro: Globo, 1987. (Em Busca do Tempo Perdido ; 1v).