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Rosebud

Rosebud

Perder o ônibus para a vida
E correr para casa
A fuga para a infância.
A fuga da vida.
A casa velha onde
A infância aconteceu.
A mãe.
O pai.
As árvores.
O campo.
O verde.
O espaço.
O mundo.
As dores da infância?
Invisíveis!
Traumas esquecidos.
Tristezas recalcadas.
Dores adormecidas.
A prisão, a vergonha, a solidão:
Desaparecidas.
Nada disso importa mais.
O que importa é o rosto da ilusão.
O abraço da fantasia.
O conforto do
Não-ter-que-fazer-nada-do-que-poderia-me-enlouquecer
Ainda que isso me faça prisioneiro das minhas próprias ilusões.
Como pode a infância ser
Tão terrível e tão doce
Ao mesmo tempo
E na mesma intensidade?
Como uma prisão pode ser tão bela?

Tiago Felipe

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